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Sistema para clínica de fisioterapia: o que exigir em 2026

Resposta rápidaUm sistema para clínica de fisioterapia precisa registrar o que a Resolução COFFITO 414/2012 exige no prontuário: identificação, história, exame, diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos, plano com a quantidade provável de atendimentos e evolução a cada sessão. Além disso, deve cuidar da agenda de sessões recorrentes, dos lembretes, do financeiro por pacote ou convênio e da guarda segura dos dados.
Equipe Doctor System
Publicado em Atualizado em 11 min de leitura
Mãos de um profissional apoiando o punho e o cotovelo de uma pessoa deitada durante um atendimento, sem rostos visíveis
Foto: Ryutaro Tsukata / Pexels

A clínica de fisioterapia não funciona como um consultório de consulta única. O paciente vem várias vezes, durante semanas. Cada vinda pede um registro de evolução. O plano tem um número previsto de sessões, e o pagamento costuma ser por pacote ou por convênio.

Quando o sistema foi pensado só para "consulta e retorno", a rotina escapa pelos lados: a evolução vai para o caderno, o saldo de sessões fica na memória da recepção e ninguém sabe dizer quantos pacientes pararam no meio do plano.

Este guia mostra o que um sistema para clínica de fisioterapia precisa ter, com a norma do COFFITO por trás de cada item, uma tabela para comparar os tipos de sistema e as perguntas para levar à demonstração de qualquer fornecedor, inclusive o nosso.

O que o COFFITO exige do prontuário de fisioterapia?

A regra principal é a Resolução COFFITO 414/2012, publicada no Diário Oficial da União em 23 de maio de 2012. O art. 1º torna obrigatório o registro em prontuário das atividades assistenciais prestadas pelo fisioterapeuta. O § 1º lista o conteúdo mínimo, em oito incisos. A tabela traduz cada um para o que você deve procurar na tela do sistema.

Inciso (art. 1º, § 1º) O que a norma pede O que conferir no sistema
I Identificação do paciente Cadastro completo, sem ficha duplicada
II História clínica e tratamentos já realizados Campo de texto livre ou anamnese ligada à ficha
III Exame clínico e físico Registro da avaliação inicial com data
IV Exames complementares Anexo de arquivos (laudos, imagens)
V Diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos Campo próprio ou registro identificado na avaliação
VI Plano terapêutico, com objetivos e quantidade provável de atendimentos Plano com número de sessões previsto
VII Evolução, tratamento de cada atendimento e intercorrências Um registro por sessão, em ordem de data
VIII Identificação do profissional, com assinatura, carimbo com nome completo e número do CREFITO, e data Login individual, com nome completo e CREFITO de quem escreveu em cada registro

Outros pontos da mesma resolução que afetam a escolha do sistema:

  • Papel ou eletrônico (art. 2º). O registro pode ser manuscrito ou eletrônico, desde que legível e claro. No eletrônico, o fisioterapeuta deve se identificar logo após cada registro. Senha única para a equipe inteira não atende a essa exigência.
  • O prontuário é do paciente (arts. 4º e 5º). Ele só pode ser divulgado com autorização, por dever legal ou justa causa, e a norma veda negar ao paciente o acesso ao próprio prontuário. O sistema precisa permitir gerar uma cópia quando ele pedir.
  • Estágio (art. 1º, § 2º). Em clínica-escola, o registro leva também a identificação do supervisor e do estagiário.
  • Atendimento domiciliar (art. 6º). O prontuário fica na casa do paciente e o fisioterapeuta pode manter cópia. Um sistema acessível pelo celular pode facilitar a guarda dessa cópia.

Cinco ou vinte anos de guarda?

O art. 6º da Resolução 414/2012 fixa a guarda por no mínimo cinco anos a contar do último registro e diz que o prazo pode ser ampliado nos casos previstos em lei. A Lei 13.787/2018, que trata do prontuário de paciente em geral, estabelece no art. 6º que ele só pode ser eliminado depois de, no mínimo, 20 anos do último registro, e o § 5º estende a regra a todos os prontuários, qualquer que seja a forma de armazenamento. O § 1º admite prazos diferenciados, fixados em regulamento.

Em termos práticos: escolha um sistema em que o prontuário não possa ser apagado e planeje a guarda pelo prazo mais longo. Esta é orientação de gestão, não parecer jurídico; confirme o entendimento com o seu CREFITO. O prazo é explicado com mais detalhes no guia de prontuário eletrônico e LGPD.

Qual tipo de sistema atende melhor a clínica de fisioterapia?

Existem três caminhos. Nenhum é errado; cada um cobre uma parte da rotina.

Critério Planilha, caderno e WhatsApp do celular Sistema de gestão de consultório Sistema especializado em fisioterapia
Agenda de sessões recorrentes Manual Sim; confira a repetição de horários Sim
Lembrete antes da sessão Depende da memória da recepção Confira o canal e a antecedência Confira o canal e a antecedência
Prontuário com os oito itens do COFFITO Só com disciplina e papel legível Confira os itens V, VI e VII Confira os modelos de avaliação
Quem registrou cada evolução Assinatura e carimbo Login individual; confira a auditoria Login individual; confira a auditoria
Saldo de sessões do pacote Planilha paralela Confira na demonstração Confira na demonstração
Convênio e guias TISS Fora do controle Varia por sistema Varia por sistema
Conversa do WhatsApp ligada à ficha Não Varia por sistema Varia por sistema
Guarda, cópia de segurança e exportação Por sua conta Pergunte e peça por escrito Pergunte e peça por escrito

Como ler a tabela: o sistema especializado nasce do prontuário, com fichas de avaliação por área. O sistema de gestão de consultório nasce do atendimento e do financeiro. Em qualquer um, confira item por item em vez de confiar no rótulo. Antes de decidir, anote onde a sua clínica perde mais tempo hoje. Se é na recepção, na remarcação e na cobrança, a gestão pesa mais. Se é na ficha de avaliação, o prontuário especializado pesa mais.

Como organizar sessões, pacotes e convênio sem planilha paralela?

O plano de tratamento é a unidade de trabalho da fisioterapia. O inciso VI da Resolução 414/2012 pede que ele traga a quantidade provável de atendimentos. Esse número é também a base da agenda e do financeiro.

Três controles precisam conversar entre si:

  1. Sessões previstas, feitas e restantes. Sem isso, a recepção não sabe quando oferecer a reavaliação.
  2. Valor pago e valor a receber. Pacote parcelado é receita futura; convênio é receita que depende de guia aprovada e de faturamento correto.
  3. Horário fixo na agenda. Paciente de terça e quinta às 8h ocupa esse horário por semanas. Se ele some, o horário fica bloqueado sem ninguém.

Faça a conta com os seus números. Exemplo hipotético: plano de 10 sessões a R$ 1.200, pago em 3 parcelas de R$ 400. Na sexta sessão, o paciente pagou duas parcelas (R$ 800) e já usou o equivalente a R$ 720 (6 × R$ 120). Se ele interromper o plano ali, quanto a clínica devolve ou credita? Sem os dois números lado a lado, a resposta vira discussão no balcão.

Sobre a divulgação de preços: o Código de Ética da Fisioterapia (Resolução COFFITO 424/2013, art. 40, I) veda afixar valor de honorários fora do local da assistência ou divulgá-lo de forma incompatível com a dignidade da profissão ou que implique concorrência desleal. Como o texto veda afixar o valor fora do local de atendimento, evite divulgar preço de pacote em anúncio ou rede social e confirme com o CREFITO o que é permitido.

Para quem atende convênio, o caminho das guias está no guia de faturamento TISS para clínicas.

O que dizem os estudos indexados no PubMed?

Na fisioterapia, a falta interrompe uma sequência de sessões. Quatro estudos indexados no PubMed ajudam a dimensionar o problema. Nenhum é brasileiro e a maioria vem de serviços hospitalares ou de grandes redes; use como ordem de grandeza.

  • Austrália, 2025. Em dois ambulatórios hospitalares de fisioterapia, a taxa de não comparecimento entre 2018 e 2021 foi de 8% e 10%. O custo anual projetado só com o tempo da equipe chegou a 114.827 dólares australianos em uma das clínicas, em valores de 2023 (DOI, PubMed).
  • Arábia Saudita, 2025. Em um departamento de reabilitação de adultos em Riade, 336 faltas representaram 21% dos agendamentos do período. Entre os 140 pacientes ouvidos por telefone, 15% apontaram data ou horário inconveniente, um motivo que a recepção consegue resolver na marcação (DOI, PubMed).
  • Nigéria, 2024. Em um ambulatório de fisioterapia, 1.701 de 3.243 atendimentos agendados entre 2009 e 2019 foram perdidos (52,5%). Os autores sugerem um sistema de lembretes como caminho para reduzir a perda (DOI, PubMed).
  • Estados Unidos, 2025. Um estudo qualitativo entrevistou 26 pessoas que fizeram a avaliação inicial e não voltaram. Problemas de acesso apareceram em 26,9% das entrevistas, e 23,1% disseram não ter visto valor no plano ou achar que podiam seguir sozinhas. A amostra é pequena e serve para levantar hipóteses, não para medir (DOI, PubMed).

O que tirar disso para a gestão: meça a sua taxa (faltas do mês divididas pelas sessões agendadas), ofereça horários que caibam na rotina do paciente, lembre antes de cada sessão e ligue para quem fez a avaliação e não marcou a segunda vinda. Os modelos de mensagem estão no guia de confirmação de consulta por WhatsApp.

Teleatendimento e fotos: o que o sistema precisa registrar?

A Resolução COFFITO 619/2025, de 28 de maio de 2025, regulamenta de forma permanente o atendimento remoto na fisioterapia e revogou a Resolução 516/2020, editada na pandemia. Os pontos que tocam o sistema:

  • Consentimento (art. 1º, II). O atendimento remoto exige consentimento do paciente ou do representante legal. Guarde esse aceite na ficha.
  • Registro (art. 1º, IV, e art. 5º). A clínica precisa de meios adequados de registro e documentação, e o prontuário deve ser atualizado a cada atendimento, com condutas e evolução.
  • Dados (art. 4º). A norma pede infraestrutura adequada e regras de guarda, manuseio e transmissão de dados, com confidencialidade.
  • Limite (art. 1º, I e III). O atendimento remoto é opcional e não substitui a avaliação presencial quando ela for indispensável.

A resolução admite atendimento síncrono, em tempo real, e assíncrono (art. 2º). Nos dois casos, a evolução entra no mesmo prontuário das sessões presenciais.

Fotos e vídeos de postura, marcha ou evolução são dado de saúde, que a LGPD (Lei 13.709/2018, art. 5º, II) trata como dado pessoal sensível. Guardar a imagem no prontuário para acompanhar o tratamento é uma finalidade. Publicar é outra: o Código de Ética (Resolução 424/2013, art. 15, V, no texto atual publicado pelo COFFITO) veda inserir em anúncio fotografia ou outra referência que identifique o paciente, como em comparativos de antes e depois, sem autorização formal prévia dele ou do responsável. O art. 46 do mesmo código veda a promessa de resultado infalível na divulgação.

Quais perguntas levar para a demonstração?

Use esta lista com qualquer fornecedor e peça as respostas por escrito:

  1. Onde registro diagnóstico fisioterapêutico, prognóstico e plano com número de sessões?
  2. Cada evolução fica com data, hora e nome de quem escreveu? Dá para alterar depois? O que acontece com o texto original?
  3. Cada fisioterapeuta e cada estagiário tem login próprio?
  4. O sistema mostra sessões feitas e restantes de cada plano?
  5. Como funciona o horário fixo semanal e a remarcação de uma única sessão?
  6. Há lembrete antes da sessão? Por qual canal?
  7. O sistema emite guias TISS? Para quais operadoras?
  8. Onde ficam os dados e as imagens? Há cópia de segurança diária?
  9. O prontuário pode ser apagado? Por quanto tempo fica guardado se eu cancelar o plano?
  10. Como exporto tudo se eu trocar de sistema? (O art. 18, V, da LGPD prevê a portabilidade.)
  11. A recepção enxerga os valores financeiros?

Se você tem uma clínica pequena e está começando, o guia de software para clínica pequena ajuda a separar o que é necessário do que pode esperar.

Como fazer isso no Doctor System

O Doctor System é um sistema de gestão de consultório que atende clínicas de fisioterapia, além de consultórios médicos e odontológicos. Ele se encaixa na segunda coluna da tabela de comparação. O que os recursos cobrem:

  • Agenda e lembretes. A agenda reúne consultas, retornos e procedimentos, com horário obrigatório em todos os eventos. O painel de lembretes lista em tempo real quem deve receber a mensagem de 24 horas e a de 3 horas antes, com o texto pronto para enviar pelo WhatsApp.
  • Atendimento. O número da clínica é conectado por QR Code e as conversas acontecem dentro do sistema, ligadas à ficha do paciente. No CRM, cada paciente é um card que avança de etapa quando a data do compromisso vence.
  • Prontuário e guarda. Prontuário em linha do tempo, com auditoria de quem alterou o quê. O prontuário nunca é apagado: o registro corrigido é arquivado com o motivo. Os dados ficam guardados no Brasil, com cópia de segurança diária guardada por 35 dias, login com verificação em duas etapas disponível e exportação completa pelo administrador principal.
  • Financeiro e convênio. Forma de pagamento (PIX, cartão, boleto), parcelamento de 1 a 12 vezes com as parcelas distribuídas por mês, guias TISS e perfil de secretária sem acesso aos valores financeiros.
  • Atendimento remoto. O sistema tem teleconsulta.

O que não consta nessa lista deve ser conferido antes de decidir: campos próprios para diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos, plano com número de sessões, contagem de sessões restantes e modelos de avaliação por área. Use as perguntas da seção anterior.

O Doctor System é grátis para começar, sem cartão de crédito. Você pode criar a conta da clínica, ver cada tela no tutorial e conhecer o conjunto na página do sistema para consultório.

Perguntas frequentes

O que o prontuário de fisioterapia precisa ter segundo o COFFITO?

A Resolução COFFITO 414/2012 torna o registro em prontuário obrigatório e lista o conteúdo mínimo no art. 1º, § 1º: identificação do paciente, história clínica, exame clínico e físico, exames complementares, diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos, plano terapêutico com a quantidade provável de atendimentos, evolução a cada atendimento com as intercorrências e identificação do profissional, com assinatura, carimbo com nome completo e número do CREFITO e data. No prontuário eletrônico, o art. 2º manda o fisioterapeuta se identificar logo após cada registro.

Por quanto tempo a clínica de fisioterapia deve guardar o prontuário?

A Resolução COFFITO 414/2012 (art. 6º) fixa o mínimo de cinco anos a contar do último registro e admite prazo maior nos casos previstos em lei. A Lei 13.787/2018 (art. 6º) só permite eliminar prontuário de paciente depois de, no mínimo, 20 anos do último registro, inclusive os eletrônicos, e admite prazos diferenciados fixados em regulamento. Na dúvida, planeje a guarda pelo prazo mais longo e confirme com o seu CREFITO.

O prontuário de fisioterapia pode ser só eletrônico?

Pode. O art. 2º da Resolução COFFITO 414/2012 admite o registro manuscrito ou eletrônico, desde que legível, claro e com a terminologia própria da profissão. No prontuário eletrônico, o fisioterapeuta deve se identificar logo após cada registro. Por isso, cada profissional precisa ter o próprio acesso ao sistema, e não uma senha compartilhada pela equipe.

Fisioterapeuta pode atender a distância? O que o sistema precisa registrar?

Sim. A Resolução COFFITO 619/2025 regulamenta o atendimento remoto de forma permanente e revogou a Resolução 516/2020. Ela exige consentimento do paciente ou do representante legal, meios adequados de registro e documentação e prontuário atualizado a cada atendimento, com condutas e evolução. O atendimento remoto é opcional e não substitui a avaliação presencial quando ela for indispensável.

Sistema genérico de consultório serve para fisioterapia?

Serve para a parte de gestão: agenda, lembretes, WhatsApp, financeiro e cadastro. O ponto de atenção é o prontuário. Confira se o sistema permite registrar os oito itens do art. 1º, § 1º, da Resolução COFFITO 414/2012, em especial o plano terapêutico com a quantidade provável de atendimentos e a evolução de cada sessão, com identificação de quem registrou.

O Doctor System serve para clínica de fisioterapia?

Sim, a fisioterapia está entre as áreas atendidas. Os recursos listados são agenda de consultas, retornos e procedimentos com lembretes de 24 horas e 3 horas, atendimento por WhatsApp dentro do sistema, prontuário em linha do tempo com auditoria de quem alterou o quê, teleconsulta, guias TISS e controle de receita com parcelamento de 1 a 12 vezes. É grátis para começar, sem cartão de crédito.

No Doctor System: Conheça o Doctor System.

Fontes consultadas

  1. Resolução COFFITO nº 414/2012 — obrigatoriedade do registro em prontuário pelo fisioterapeuta, guarda e descarte
  2. Resolução COFFITO nº 619/2025 — teleconsulta, teleatendimento, telemonitoramento e teleconsultoria
  3. Resolução COFFITO nº 424/2013 — Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia
  4. Lei nº 13.787/2018 — digitalização e guarda do prontuário de paciente
  5. Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)
  6. PubMed — Mohammed Selim et al., Cost of physiotherapy non-attendance at a metropolitan hospital in Australia (BMJ Open, 2025)
  7. PubMed — AlOsaimi et al., Reasons for patient no-show in an outpatient adult rehabilitation department, Riyadh (Health Science Reports, 2025)
  8. PubMed — Fatoye et al., Missed physiotherapy appointment and its influence on cost, efficiency and patients' outcomes (Annali di Igiene, 2024)
  9. PubMed — Thomas et al., Reasons for patient no-shows and drop-offs after initial evaluation in physical therapy outpatient care (2025)