Nova lista de especialidades do CFM: o que muda para clínicas

Toda clínica anuncia especialidades em algum lugar: no site, na bio do Instagram, no perfil do Google, na placa da porta e na lista de médicos da recepção. Essas palavras têm regra. O Conselho Federal de Medicina publicou nesta semana a nova relação oficial de especialidades e áreas de atuação, e é ela que define o que pode virar Registro de Qualificação de Especialista (RQE) no CRM.
Para quem já anuncia só títulos com RQE, a regra prática não muda. Mas a nova lista é um bom motivo para conferir se tudo o que a clínica anuncia bate com o que está registrado. Este texto separa o que mudou, o que já estava valendo e o que vale fazer nesta semana.
As informações foram conferidas no texto oficial das Resoluções CFM nº 2.472/2026, 2.380/2024 e 2.336/2023, no portal do CFM, em 30/10/2026.
O que mudou
- Resolução CFM nº 2.472/2026: homologa a Portaria CME nº 1/2026, com a lista de especialidades (Lista A), de áreas de atuação (Lista B) e as formas de obter cada título (Listas C e D). Foi assinada em 24/09/2026 e publicada no Diário Oficial da União em 28/10/2026 (Seção 1, p. 153). Em vigor desde 28/10/2026 (art. 4º). CFM
- Validade do RQE: para registro no CRM, só valem os títulos de especialidade e de área de atuação obtidos na forma prevista na portaria (art. 2º). Em vigor. CFM
- Resolução CFM nº 2.380/2024: a lista anterior, publicada em 24/06/2024. Revogada pelo art. 3º da nova resolução. CFM
- Resolução CFM nº 2.336/2023: regras de publicidade médica, que exigem em toda peça nome, CRM com a palavra MÉDICO e, quando houver, especialidade ou área de atuação com RQE. Em vigor, sem alteração. CFM
O que a nova lista traz?
A Lista A segue com 55 especialidades médicas, o mesmo total da Resolução 2.380/2024. A Lista B passa de 62 para 64 áreas de atuação. Pela exposição de motivos da própria resolução, a portaria criou duas áreas:
| Área de atuação nova | Pré-requisito para a residência | Duração da residência | Outra forma de obter o título |
|---|---|---|---|
| Cardiointensivismo | Cardiologia ou Medicina Intensiva | 1 ano | Concurso da AMB em convênio com a AMIB e a SBC |
| Medicina Marítima e Hiperbárica | Medicina do Trabalho ou Medicina do Tráfego | 1 ano | Concurso da AMB em convênio com a ANAMT e a ABRAMET |
A exposição de motivos registra ainda três ajustes:
- Pré-requisitos ampliados: Genética Médica passa a ser pré-requisito para o certificado de Medicina Paliativa, e Geriatria para o de Densitometria Óssea.
- Área Cirúrgica Básica: as especialidades que exigem residência em Cirurgia Geral como pré-requisito podem aceitar o Programa de Pré-Requisito em Área Cirúrgica Básica como equivalente, nos termos das regras da Comissão Nacional de Residência Médica. A lista inclui, por exemplo, Cirurgia Plástica, Coloproctologia, Mastologia, Urologia e Nutrologia.
- Ultrassonografia Geral: os títulos da antiga especialidade "Diagnóstico por Imagem – atuação exclusiva: Ultrassonografia Geral" emitidos até o fim de 2025 devem ser registrados nos CRMs. E quem tem RQE em Ultrassonografia Geral pode participar da certificação em Mamografia e em Ecografia Vascular com Doppler até o final de 2026.
O que muda na clínica?
A resolução nova não cria obrigação de publicidade. Quem faz isso é a Resolução CFM nº 2.336/2023, que continua valendo. A diferença é que, a partir de agora, a referência de "especialidade reconhecida" é a Portaria CME nº 1/2026.
O que toda peça precisa ter
- Médico: nome, número do CRM com a palavra MÉDICO e, quando houver, a especialidade ou área de atuação registrada no CRM, com o número do RQE (art. 4º).
- Clínica: nome do estabelecimento com o número de cadastro no CRM e nome do diretor técnico-médico com o CRM e, onde for exigível, a especialidade com o RQE (art. 5º, I).
- Placas internas: quando identificam os médicos do corpo clínico, precisam estar atualizadas e trazer os mesmos dados do art. 4º (art. 5º, II).
- Redes, sites e blogs: esses dados ficam na página principal do perfil, da pessoa física ou da clínica (art. 6º).
O que a clínica não pode anunciar
- Pós-graduação como especialidade. Quem tem pós-graduação cadastrada no CRM, mas não tem RQE, escreve o curso seguido de "NÃO ESPECIALISTA", em caixa alta (art. 13, § 1º, alíneas d e e).
- Mais de duas especialidades por médico. O especialista pode divulgar até 2 especialidades e as áreas de atuação ligadas a elas (art. 13, § 1º, alínea f).
- "Trato de" sem título. Quem não é especialista não pode divulgar que trata de sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas, porque isso confunde com a divulgação de especialidade (art. 11, I).
Na rotina da equipe
A lista nova pode gerar pergunta na recepção: "o doutor é especialista em quê?". A resposta da secretária deve ser a mesma do site: o título registrado, com o RQE. Vale deixar isso por escrito no roteiro de atendimento. Se a clínica contrata médicos, peça o número do RQE na entrada de cada profissional, antes de colocá-lo no site ou na placa.
O que muda para o paciente?
Para o paciente, a mudança é de acesso à informação. A Busca por médicos do portal do CFM permite pesquisar por nome, UF, CRM, especialidade e área de atuação. Quando a clínica mostra o CRM e o RQE de cada profissional, o paciente consegue conferir o que leu no anúncio. A resolução não trata de preço de consulta nem de cobertura de planos.
O que dizem os estudos indexados no PubMed?
Na busca que fizemos no PubMed, não apareceu estudo brasileiro sobre o tema. Os achados abaixo são dos Estados Unidos, quase todos em cirurgia plástica, e servem de alerta sobre como títulos aparecem na internet.
- Busca no Google (EUA). Um estudo publicado em 2021 simulou a busca de um paciente por "cirurgião plástico + cidade" e reuniu 1.677 profissionais; 76,9% tinham o título da especialidade. Não houve diferença significativa entre estados com e sem leis de "verdade na publicidade", e os profissionais sem o título apareciam mais em cidades pequenas (DOI 10.1097/PRS.0000000000007493).
- Facebook e sites (EUA). Um estudo de 2022 analisou 298 médicos com certificação em cirurgia cosmética que não tinham o título de cirurgia plástica: 69,5% classificavam a página comercial do Facebook como "cirurgião plástico", e 30,4% se apresentavam assim no próprio site (DOI 10.1097/SAP.0000000000003120).
- Instagram (EUA). Em 2025, outro levantamento encontrou 1.141 perfis de médicos que se apresentavam como "cirurgião plástico" no Instagram; 28% não tinham o título da especialidade (DOI 10.1097/GOX.0000000000006426).
- O que o público entende (EUA). Num experimento de 2022, com 4.284 respostas a posts fictícios, quase metade das pessoas não soube apontar qual era o título correto para a cirurgia mostrada (DOI 10.1097/PRS.0000000000008919).
São dados de outro país e de outro sistema de títulos, mas apontam um cuidado útil aqui: nos EUA, quase metade dos respondentes não soube apontar o título certo. Mostrar o RQE com clareza é cumprir a regra do CFM e, ao mesmo tempo, dar ao paciente um jeito de conferir.
O que fazer agora: checklist da semana
A nova resolução não fixa prazo para revisar anúncios; a Resolução 2.336/2023 já vale hoje. Por isso, a sugestão é fazer os passos 1 a 6 ainda nesta semana.
- Liste os médicos da clínica com nome, CRM e RQE de cada especialidade e área de atuação. Confira cada um na Busca por médicos do CFM.
- Compare com a Lista A e a Lista B da Portaria CME nº 1/2026. Se algum título anunciado não estiver lá, ou não tiver RQE, ajuste o texto.
- Revise a página principal do Instagram, do site e do perfil do Google: nome, CRM com a palavra MÉDICO e especialidade com RQE (arts. 4º e 6º).
- Revise a identificação da clínica: cadastro do estabelecimento no CRM e diretor técnico com CRM e, onde exigível, RQE (art. 5º).
- Atualize as placas internas que identificam os médicos (art. 5º, II).
- Procure "pós-graduação" nos textos. Onde não houver RQE, use a fórmula "NÃO ESPECIALISTA" (art. 13, § 1º).
- Fale com o médico que tem RQE em Ultrassonografia Geral: a janela para a certificação em Mamografia e em Ecografia Vascular com Doppler vai até o fim de 2026.
- Na dúvida, consulte a Codame do seu CRM. A própria Resolução 2.336/2023 indica esse caminho (art. 13, V).
Se a clínica está montando a presença on-line agora, o guia como captar pacientes dentro das regras do CFM traz o passo a passo do perfil no Google e do conteúdo educativo.
Datas para marcar
- 28/10/2026: publicação e início da vigência da Resolução CFM nº 2.472/2026.
- Final de 2026: fim do prazo, citado na exposição de motivos ("até o final de 2026"), para quem tem RQE em Ultrassonografia Geral participar da certificação em Mamografia e em Ecografia Vascular com Doppler.
- Sem data: a revisão dos anúncios não tem prazo próprio na nova resolução, mas a Resolução 2.336/2023 já vale para toda peça publicada hoje.
Como o Doctor System ajuda nessa rotina
O Doctor System não confere RQE nem revisa anúncios: essa parte é da clínica, com o CRM. O que ele faz é mostrar se a revisão trouxe resultado. No cadastro, cada paciente tem a fonte, como anúncio ou indicação, e o painel mostra quantos pacientes vieram de cada origem e o retorno de cada uma.
As conversas que chegam pelo WhatsApp do consultório entram no sistema ligadas à ficha do paciente, e a secretária responde de lá. Dá para começar grátis, sem cartão de crédito, em doctoriasystem.com.br/auth.
Este texto é informativo e não substitui a orientação do seu CRM ou do jurídico da clínica.
Perguntas frequentes
O que é a Resolução CFM 2.472/2026?
É a resolução que homologa a Portaria CME nº 1/2026, com a relação atualizada de especialidades médicas, de áreas de atuação e das formas de obter cada título para o Registro de Qualificação de Especialista (RQE). Foi assinada em 24/09/2026, publicada no Diário Oficial da União em 28/10/2026 e entrou em vigor na data da publicação.
Quantas especialidades médicas o CFM reconhece em 2026?
São 55 especialidades médicas na Lista A da Portaria CME nº 1/2026, o mesmo número da resolução anterior. As áreas de atuação, na Lista B, passaram de 62 para 64, com a criação de Cardiointensivismo e de Medicina Marítima e Hiperbárica.
Quais são as novas áreas de atuação médica?
Cardiointensivismo, que tem como pré-requisito Cardiologia ou Medicina Intensiva, e Medicina Marítima e Hiperbárica, que tem como pré-requisito Medicina do Trabalho ou Medicina do Tráfego. Nas duas, a residência dura 1 ano, e o título também pode vir de concurso da Associação Médica Brasileira com a sociedade da área.
A clínica precisa mudar o site e o Instagram por causa da nova resolução?
Só se algo anunciado estiver fora da lista ou sem RQE. A Resolução CFM 2.336/2023 exige nome, CRM com a palavra MÉDICO e, quando houver, especialidade ou área de atuação registrada no CRM com o número do RQE (art. 4º), na página principal do perfil (art. 6º). A nova lista é o momento de revisar esses dados.
Médico com pós-graduação pode se apresentar como especialista?
Não. Pela Resolução CFM 2.336/2023, quem tem pós-graduação cadastrada no CRM, mas não tem RQE, anuncia o curso seguido de NÃO ESPECIALISTA, em caixa alta (art. 13, § 1º, alíneas d e e). Especialista, para a publicidade, é quem apresenta RQE (art. 13, § 2º).
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Fontes consultadas
- Resolução CFM nº 2.472/2026 e Portaria CME nº 1/2026 — Conselho Federal de Medicina
- Resolução CFM nº 2.380/2024 (lista anterior, revogada) — Conselho Federal de Medicina
- Resolução CFM nº 2.336/2023 (publicidade médica) — Conselho Federal de Medicina
- Busca por médicos — Conselho Federal de Medicina
- Truth-in-Advertising Laws: Are They Working? (Plast Reconstr Surg, 2021) — PubMed
- Board Certification in Cosmetic Surgery: An Examination of Online Advertising Practices (Ann Plast Surg, 2022) — PubMed
- Instagram Versus Reality: Who Are Actually Plastic Surgeons? (Plast Reconstr Surg Glob Open, 2025) — PubMed
- How Do You Like Me Now? The Influence of Likes and Followers on Social Media in Plastic Surgery (Plast Reconstr Surg, 2022) — PubMed


