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Tecnologia e IA

Médico pode usar inteligência artificial para escrever a evolução?

Resposta diretaPode, como apoio. A Resolução CFM 2.454/2026 cita o auxílio na redação de documentos clínicos entre os usos da IA, mas o médico revisa o texto e continua responsável pelo registro. O paciente deve ser informado e pode recusar, e a ferramenta precisa ter segurança compatível com dados sensíveis, como exige também a LGPD.
Equipe Doctor System
Publicado em Atualizado em

O que a resolução do CFM permite?

A Resolução CFM 2.454/2026 garante ao médico o direito de usar ferramentas de IA como instrumento de apoio à prática médica (art. 3º, I). Ao definir os modelos de linguagem, ela cita entre as aplicações na medicina o "auxílio na redação de documentos clínicos" (Anexo I, XI); rascunhar a evolução se enquadra nessa descrição.

A condição é que a IA seja só apoio. O médico deve empregá-la "exclusivamente como ferramenta de apoio", mantendo-se como responsável final pelas decisões (art. 4º, I), e exercer julgamento crítico sobre o que ela produz (art. 4º, II). No plano ético-profissional, ele permanece integralmente responsável pelos atos praticados com IA (art. 7º).

Segundo o Portal do CFM, as regras valem desde 26 de agosto de 2026.

O que o médico precisa fazer antes de salvar?

  • Revisar o texto inteiro. O que vai para o prontuário é o que você validou, não o que a ferramenta sugeriu.
  • Avisar o paciente. Qualquer uso de IA deve ser comunicado e explicado ao paciente (art. 11), e o médico deve respeitar a recusa informada (art. 5º, § 3º). Se ele não quiser, registre do modo tradicional.
  • Registrar o uso quando a IA apoiar a decisão. A resolução manda registrar no prontuário o uso de IA como apoio à decisão médica (art. 4º, V). Na dúvida se o rascunho conta como apoio à decisão, nossa recomendação é anotar o uso.
  • Usar ferramenta segura. É vedado usar IA sem padrões mínimos de segurança compatíveis com dados pessoais sensíveis (art. 6º, § 3º). Dado de saúde é dado sensível na LGPD (art. 5º, II), e o consultório deve adotar medidas de segurança para protegê-lo (art. 46).

E a conta pessoal de um assistente de IA?

Sem saber onde os dados são processados e se servem para treinar o modelo, você não consegue demonstrar a segurança que a resolução exige (art. 6º, § 3º), nem que o compartilhamento é só o estritamente necessário (art. 6º, § 1º). Por isso, não use conta pessoal com dados que identifiquem o paciente.

Este é um resumo. O roteiro completo, com as perguntas para fazer ao fornecedor e os cuidados de LGPD na transcrição da consulta, está no guia Inteligência artificial para médicos no prontuário.

Quer o guia completo?

Leia Inteligência artificial no prontuário: como usar com segurança, com todas as regras, a fonte de cada uma e um passo a passo.

No Doctor System: Veja como cada tela do Doctor System funciona.

Fontes consultadas

  1. Resolução CFM nº 2.454/2026 — normatiza o uso da inteligência artificial na medicina
  2. Portal CFM — regras sobre uso da IA na medicina entram em vigor no dia 26 de agosto
  3. Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) — Planalto