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Alça de Henle

A alça de Henle é o segmento em forma de U do túbulo do néfron, que mergulha na medula e volta ao córtex. Cria o gradiente de concentração que permite ao rim produzir urina concentrada.

Esquema de néfrons com os ramos delgado descendente, delgado ascendente e espesso ascendente da alça de Henle indicados
Alça de Henle. Rótulos em inglês. Imagem: NIH NIAID, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

A alça de Henle liga o túbulo proximal ao distal e tem três partes. O ramo descendente fino, continuação do segmento reto do túbulo proximal, desce pela medula; o ramo ascendente fino, presente só em parte dos néfrons, sobe de volta; e o ramo ascendente espesso sobe até o córtex, no ponto em que encontra o corpúsculo renal de origem.

O comprimento depende do tipo de néfron. A maioria, de néfrons corticais, tem alças curtas, que mal passam da medula externa. Os néfrons justamedulares, cujos corpúsculos ficam perto da medula, têm alças longas, que descem até a medula interna e chegam perto da papila. O segmento leva o nome do anatomista alemão Friedrich Henle, que o descreveu no século XIX. O epitélio é pavimentoso nos segmentos finos e cúbico nos espessos.

Para que serve

A alça é o motor da concentração da urina, por um mecanismo de contracorrente. O ramo descendente é permeável à água, mas quase não transporta sal; conforme desce por uma medula cada vez mais concentrada, a água sai por osmose e o líquido se concentra. O ramo ascendente espesso faz o contrário: bombeia sódio, potássio e cloreto para fora, por um cotransportador chamado NKCC2, e é quase impermeável à água, de modo que o líquido que sai dele é diluído e o tecido ao redor fica mais concentrado.

O efeito de cada nível se soma ao do anterior, e isso cria um gradiente crescente do córtex à papila, a multiplicação por contracorrente. A ureia que sai do ducto coletor reforça o gradiente na parte mais profunda. A alça devolve ao sangue uma parte importante do sódio filtrado.

Na prática clínica

  • Os diuréticos de alça bloqueiam o cotransportador NKCC2 do ramo ascendente espesso, reduzem a concentração do interstício da medula e aumentam muito o volume de urina; por isso são considerados diuréticos potentes.
  • A síndrome de Bartter, doença hereditária rara que afeta o transporte nesse segmento, causa perda de sal e de potássio e alcalose, em um quadro parecido com o do uso prolongado de diuréticos de alça.
  • Lesões da medula, como na necrose papilar, e a perda do gradiente reduzem a capacidade de concentrar a urina; o resultado é urina diluída em grande volume, com sede, avaliada por exames de osmolalidade da urina.

Estruturas relacionadas

Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.