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Cemento dentário

O cemento é o tecido mineralizado, semelhante ao osso, que reveste a raiz do dente. Sua principal tarefa é servir de ancoragem às fibras do ligamento periodontal, que prendem o dente ao osso do alvéolo.

Esquema do dente em corte, com o cemento que cobre a raiz, a dentina, a polpa e o osso
Cemento dentário. Rótulos em inglês. Imagem: Indolences, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

O cemento cobre a dentina da raiz, desde a junção com o esmalte, no colo do dente, até o ápice. É mais fino perto do colo e mais espesso em direção à ponta da raiz e entre as raízes dos molares. Na junção com o esmalte, a relação varia: em muitos dentes o cemento recobre um pouco o esmalte, em outros os dois se encontram topo a topo, e em alguns fica um pequeno espaço de dentina exposta.

Há dois tipos principais. O cemento acelular, sem células, forma-se primeiro e reveste a parte da raiz mais próxima da coroa. O celular contém cementócitos, células presas em pequenos espaços, e se concentra perto do ápice e entre as raízes. Os cementoblastos, que o produzem, ficam na superfície voltada para o ligamento.

Para que serve

O cemento ancora o dente. As fibras do ligamento periodontal penetram nele como fibras de Sharpey, e assim a raiz fica presa ao osso sem se fundir a ele. Ao contrário do osso, não tem vasos nem nervos próprios, é nutrido pelo ligamento e não passa por remodelação contínua. É também mais resistente à reabsorção que o osso, explicação aceita para o fato de o dente poder ser movimentado com remodelação do osso e, em geral, pouca perda da raiz.

Ao longo da vida o cemento continua a ser depositado em camadas finas, sobretudo perto do ápice. Isso ajuda a compensar o desgaste da mordida, mantendo o dente em contato com o oposto, e cria novos pontos de ancoragem para as fibras. O cemento também participa do reparo de pequenas áreas de reabsorção da raiz.

Na prática clínica

  • A hipercementose, acúmulo excessivo de cemento que deixa a raiz mais volumosa, perto da ponta, é um achado de radiografia; pode relacionar-se a inflamação, a sobrecarga de mordida ou a doenças como a de Paget, ou não ter causa conhecida.
  • Quando a gengiva se retrai ou a doença periodontal avança, o cemento fica exposto ao meio da boca, onde recebe bactérias e cálculo, e por ser menos mineralizado que o esmalte, desgasta e sofre cárie com mais facilidade.
  • A reabsorção radicular, perda de cemento e de dentina da raiz, pode ocorrer por inflamação, trauma, pressão de um dente retido ou forças ortodônticas, e é avaliada em radiografias.

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Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.