Mucosa olfatória
A mucosa olfatória é a pequena área de mucosa especializada no alto de cada fossa nasal, onde as moléculas odoríferas do ar são detectadas. Seu epitélio contém neurônios sensoriais que se renovam ao longo da vida.

Onde fica
Cada fossa nasal tem uma faixa de mucosa olfatória no teto, na parte mais alta do septo e na face da concha superior, sob a lâmina cribriforme do etmoide, em uma região estreita chamada fenda olfatória. É de cor amarelada, diferente do rosado da mucosa respiratória vizinha, e ocupa poucos centímetros quadrados de cada lado.
O epitélio é espesso, pseudoestratificado, sem células caliciformes, e tem três tipos de células: os neurônios receptores, as células de sustentação e as células basais. Na lâmina própria ficam as glândulas de Bowman, que secretam um muco aquoso sobre o epitélio, e os feixes de axônios que sobem pela lâmina cribriforme.
Para que serve
A mucosa olfatória detecta odores. As moléculas chegam com o ar que sobe até a fenda olfatória, sobretudo ao fungar, dissolvem-se no muco das glândulas de Bowman e se ligam a receptores nos cílios dos neurônios. O ar também pode chegar por trás, pela faringe, durante a mastigação, o que contribui para o sabor dos alimentos.
As células de sustentação isolam os neurônios, mantêm o ambiente iônico e participam da eliminação de substâncias. As glândulas renovam o muco, lavando o epitélio para o cheiro seguinte. As células basais são a reserva de células-tronco: dividem-se e geram novos neurônios e células de sustentação, o que permite ao epitélio se recompor após lesões, nem sempre por completo.
Na prática clínica
- A perda do olfato após infecções virais, entre elas a COVID-19, associa-se à alteração do epitélio, em especial das células de sustentação; a recuperação é variável, com melhora em semanas ou meses em muitas pessoas e alteração mais duradoura em outras.
- Congestão e pólipos impedem que o ar alcance o teto da fossa nasal e causam perda do olfato que oscila; o traumatismo de crânio pode romper os axônios na lâmina cribriforme. Testes com odores padronizados e a endoscopia nasal ajudam a distinguir as causas.
- A redução do olfato é descrita em fases iniciais de doenças neurodegenerativas, como as de Parkinson e de Alzheimer, e acompanha o envelhecimento; o estesioneuroblastoma, tumor raro, origina-se nessa região.
Estruturas relacionadas
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