Células enteroendócrinas
As células enteroendócrinas são células hormonais isoladas, espalhadas no revestimento do estômago e do intestino. Detectam o conteúdo do alimento e liberam hormônios que coordenam a digestão e o apetite.

Onde fica
As células enteroendócrinas estão no epitélio do estômago e do intestino, dispersas entre as demais células de revestimento, nas glândulas gástricas e nas criptas, e não formam um órgão à parte. São pouco numerosas, mas distribuídas por todo o comprimento do tubo digestório. Muitas têm o ápice voltado ao lúmen, de onde percebem o conteúdo, e a base voltada ao tecido conjuntivo, onde liberam o hormônio.
Há vários tipos, em regiões diferentes: células G, de gastrina, no antro do estômago; I e S, no duodeno, de colecistocinina e secretina; K, no intestino delgado proximal, de GIP; L, mais distais, de GLP-1 e peptídeo YY; e enterocromafins, de serotonina, em todo o trato.
Para que serve
Esses hormônios coordenam a digestão. A gastrina estimula a secreção de ácido no estômago; a colecistocinina promove a contração da vesícula biliar e a liberação de enzimas do pâncreas; a secretina leva o pâncreas a liberar bicarbonato, que neutraliza o ácido que chega ao duodeno. O GIP e o GLP-1, chamados incretinas, aumentam a liberação de insulina quando há glicose no intestino, e o GLP-1 e o peptídeo YY também sinalizam saciedade ao cérebro.
O papel não é só endócrino: as células liberam sinais que agem nas vizinhas, de modo parácrino, e em terminações nervosas, como as do nervo vago. A serotonina das enterocromafins, por exemplo, estimula a motilidade do intestino e participa da sensação de náusea.
Na prática clínica
- Os tumores neuroendócrinos gastroenteropancreáticos, que incluem os antes chamados carcinoides, derivam dessas células e podem produzir hormônios; são avaliados por exames de imagem, biópsia e dosagens.
- O gastrinoma, tumor produtor de gastrina, pode causar úlceras múltiplas e diarreia, no quadro conhecido como síndrome de Zollinger-Ellison.
- Cirurgias do estômago e do intestino e algumas doenças intestinais alteram a secreção desses hormônios, o que pode ajudar a explicar mudanças de apetite e de glicemia depois de certos procedimentos.
Estruturas relacionadas
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