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Endolinfa

A endolinfa é o líquido que preenche o labirinto membranáceo da orelha interna. Ao contrário da maioria dos líquidos extracelulares, é rica em potássio e pobre em sódio, e na cóclea tem carga elétrica positiva.

Corte do utrículo com a mácula e a endolinfa que preenche o labirinto membranáceo, além de células ciliadas e otólitos
Endolinfa. Rótulos em inglês. Imagem: OpenStax College, Anatomy & Physiology, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

A endolinfa está dentro do labirinto membranáceo, o sistema de ductos e bolsas de parede fina contido no labirinto ósseo. Ocupa o ducto coclear, o utrículo, o sáculo, os ductos semicirculares e o ducto endolinfático, cujo fundo cego é o saco endolinfático, uma bolsa achatada entre folhetos da dura-máter na face posterior do osso temporal.

É produzida em dois pontos principais. Na cóclea, vem da estria vascular, faixa de epitélio rica em capilares na parede externa do ducto; no vestíbulo, as células escuras do utrículo e dos canais cumprem papel semelhante. O volume total é muito pequeno.

Para que serve

A composição da endolinfa é incomum. Ela tem concentração alta de potássio, próxima à do interior das células, e pouco sódio, o oposto do plasma e da perilinfa. Na cóclea há ainda um potencial elétrico positivo, de cerca de 80 milivolts, gerado pela estria vascular. Quando os cílios das células ciliadas se inclinam, canais se abrem e o potássio, impelido por essa diferença, entra na célula em grande quantidade; isso a despolariza e gera o sinal sensorial.

O potássio que entra deixa a célula pela base e volta à estria vascular por células de suporte, em um ciclo de reciclagem. O saco endolinfático participa da regulação do volume do líquido, e a endolinfa é o meio em que se movem as cúpulas e as membranas otolíticas.

Na prática clínica

  • Na doença de Ménière há aumento do volume da endolinfa, a hidropisia endolinfática, associado a crises de vertigem, zumbido, sensação de pressão na orelha e perda auditiva flutuante; o mecanismo exato ainda é discutido.
  • A estria vascular perde células e função com a idade, e o enfraquecimento do potencial elétrico da cóclea é uma das explicações propostas para parte da perda auditiva do envelhecimento; alterações genéticas da circulação do potássio causam formas hereditárias de surdez.
  • O aqueduto vestibular alargado, visto na tomografia, associa-se a perda auditiva neurossensorial que em alguns casos flutua ou piora após traumas leves da cabeça; tumores do saco endolinfático são raros e podem se ligar a síndromes genéticas, como a de von Hippel-Lindau.

Estruturas relacionadas

Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.