Membrana de Descemet
A membrana de Descemet é a membrana basal espessa produzida pelo endotélio da córnea, entre este e o estroma. Elástica e resistente, ela engrossa ao longo da vida e termina na periferia da córnea, no anel de Schwalbe.
Onde fica
A membrana de Descemet é a última camada da córnea sem células: fica entre o estroma, na frente, e o endotélio, atrás, voltado para a câmara anterior. Em direção à periferia, ela se estreita e termina em um ponto chamado linha ou anel de Schwalbe, junto ao ângulo da câmara anterior, onde começa a malha trabecular.
É uma membrana basal de aspecto vítreo ao microscópio, com colágeno dos tipos IV e VIII em arranjo regular. Divide-se em duas partes: uma zona anterior, com aspecto em faixas, formada ainda no período fetal, e uma zona posterior, sem faixas, produzida pelo endotélio durante a vida inteira. Por isso a membrana é fina ao nascimento e se torna várias vezes mais espessa no adulto.
Para que serve
A membrana de Descemet serve de base para o endotélio e é a superfície em que essas células se apoiam e se fixam. Sua rigidez e sua elasticidade ajudam a manter a curvatura da córnea e a resistir à pressão do olho, e ela atua como uma barreira que separa o estroma do humor aquoso.
Ela também é capaz de reparar-se: se for rompida, o endotélio vizinho deposita nova membrana. Em contraste com a camada de Bowman, que não é reposta, a de Descemet continua a ser produzida durante toda a vida. Essa deposição contínua explica por que o espessamento com a idade é normal e por que a membrana pode registrar substâncias que se acumulam no organismo.
Na prática clínica
- Na doença de Wilson, o cobre pode depositar-se na periferia da membrana e formar um anel dourado ou acastanhado, o anel de Kayser-Fleischer, observado no exame com lâmpada de fenda.
- Na distrofia endotelial de Fuchs, a membrana apresenta pequenas elevações em gotas, as gutas, e o endotélio perde células, o que pode levar a edema e perda de transparência da córnea.
- No ceratocone avançado, a membrana pode se romper e enrolar-se sobre si mesma, deixando o estroma encharcado de líquido. O transplante de endotélio com a membrana de Descemet é uma das formas de transplante de córnea.
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