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Estroma da córnea

O estroma é a camada intermediária e mais espessa da córnea, formada por lâminas de colágeno muito regulares e por células esparsas, os ceratócitos. Dá à córnea resistência, forma e transparência.

  • Inglês: Corneal Stroma
  • Também chamado de: estroma corneano, substância própria da córnea
  • Órgãos dos sentidos
Esquema das camadas da córnea (epitélio, camada de Bowman, estroma, membrana de Descemet e endotélio) e do limbo
Estroma da córnea. Rótulos em inglês. Imagem: Ruan, Y.; Jiang, S.; Musayeva, A.; Pfeiffer, N.; Gericke, A., CC BY 4.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

O estroma forma a maior parte da espessura da córnea, cerca de nove décimos. Fica entre o epitélio, na frente, e o endotélio, atrás. Logo abaixo do epitélio há uma faixa sem células, a camada de Bowman, condensação da parte anterior do estroma, e atrás dele está a membrana de Descemet.

É composto por centenas de lâminas empilhadas de fibrilas de colágeno, todas com diâmetro quase igual, que correm de um lado ao outro da córnea, até o limbo. Em lâminas vizinhas a orientação das fibrilas muda de ângulo, como as folhas de um compensado. Entre as lâminas ficam os ceratócitos, células achatadas e quietas, e uma substância rica em proteoglicanos, que prendem água.

Para que serve

O estroma dá à córnea firmeza e formato. As fibrilas de colágeno resistem à pressão do interior do olho, e o arranjo em camadas distribui a tensão e conserva a curvatura regular, da qual depende boa parte do foco. A transparência vem da ordem: as fibrilas têm o mesmo diâmetro e guardam distâncias parecidas, menores que o comprimento de onda da luz visível, de modo que a luz espalhada por cada uma é anulada pela das vizinhas e o tecido, embora feito de colágeno, deixa a luz passar. Os proteoglicanos retêm água e mantêm esse espaçamento.

Quando o estroma incha ou cicatriza de forma irregular, a ordem se perde e a luz se dispersa: a córnea fica turva ou opaca.

Na prática clínica

  • No ceratocone, o estroma se afina e perde resistência, e a córnea assume forma de cone, com astigmatismo irregular e miopia progressiva; é identificado pela topografia e pela tomografia da córnea e costuma começar na adolescência ou no adulto jovem.
  • Cicatrizes de infecções (ceratites), úlceras e traumas deixam opacidades no estroma, e distrofias hereditárias, como a granular e a em treliça, depositam material nessa camada; a lâmpada de fenda mostra a profundidade da lesão.
  • Nas cirurgias refrativas, como a PRK e a LASIK, parte do estroma é remodelada para mudar a curvatura da córnea; por isso a espessura e a regularidade são medidas antes, e córneas muito finas ou com sinais de ceratocone costumam ser consideradas inadequadas.

Estruturas relacionadas

Nesta região

Membrana de BowmanÓrgãos dos sentidos
Membrana de DescemetÓrgãos dos sentidos

Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.