Limbo da córnea
O limbo é a faixa estreita de transição entre a córnea transparente e a esclera opaca, onde também começa a conjuntiva. Abriga células-tronco do epitélio da córnea e, por baixo, as estruturas de drenagem do olho.

Onde fica
O limbo forma um anel estreito, de um a dois milímetros de largura, em torno da córnea, o ponto em que o olho passa do tecido transparente para o branco. Visto de frente, é a borda onde a córnea parece se encaixar na esclera, coberta pela conjuntiva bulbar. Nessa faixa o arranjo do colágeno muda: as fibrilas regulares do estroma da córnea dão lugar às fibras irregulares e opacas da esclera.
A superfície é pregueada por cristas radiais, as paliçadas de Vogt, mais evidentes em cima e embaixo, e irrigada por uma rede de capilares, as arcadas límbicas, que chegam à periferia da córnea. Em profundidade, sob o limbo, ficam a malha trabecular e o canal de Schlemm, que drenam o humor aquoso.
Para que serve
O limbo reabastece a superfície da córnea. Nas paliçadas ficam as células-tronco límbicas, que originam as células basais do epitélio e as enviam em direção ao centro; o limbo funciona também como barreira que impede o avanço do epitélio da conjuntiva sobre a córnea. A rede de capilares nutre a periferia da córnea e é porta de entrada de células de defesa quando há inflamação.
É ainda região de passagem e de referência. Por baixo dele o humor aquoso deixa o olho, e é pela sua borda, ou perto dela, que se fazem em geral as pequenas incisões de acesso ao interior do olho nas cirurgias de catarata e de glaucoma.
Na prática clínica
- A deficiência de células-tronco límbicas, causada por queimaduras químicas, doenças inflamatórias ou, em alguns casos, uso prolongado de lentes de contato, faz a conjuntiva invadir a córnea, com vasos novos, opacidade e dor; é avaliada em serviços de superfície ocular.
- O arco senil é um anel esbranquiçado de gordura na periferia da córnea, separado do limbo por uma faixa clara, comum em idosos; em jovens pode se associar a alterações do colesterol. O anel dourado de Kayser-Fleischer marca depósito de cobre na doença de Wilson.
- O pterígio e as neoplasias da superfície ocular costumam nascer da conjuntiva perto do limbo e avançar sobre a córnea; a exposição ao sol está associada ao pterígio, e a biomicroscopia acompanha o crescimento.
Estruturas relacionadas
Partes e subdivisões

Nesta região


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