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Perilinfa

A perilinfa é o líquido do labirinto ósseo, que envolve o labirinto membranáceo. Tem composição parecida com a de um líquido extracelular comum e transmite pela orelha interna as ondas de pressão do som.

Esquema do epitélio ciliado da orelha interna entre a endolinfa, rica em potássio, e a perilinfa, rica em sódio
Perilinfa. Imagem: Cristiane Tilelli, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

A perilinfa ocupa o espaço entre a parede óssea do labirinto e as estruturas membranáceas. Na cóclea preenche duas rampas, a vestibular e a timpânica, que se comunicam no ápice por uma pequena abertura, o helicotrema, e envolvem o ducto coclear. No vestíbulo e em volta dos ductos semicirculares forma um espaço contínuo com o da cóclea. Toca a base do estribo, na janela oval, e a membrana da janela redonda.

A origem é discutida. Considera-se que venha em parte do líquido cerebrospinal, com o qual a cóclea se comunica por um canal estreito, o aqueduto da cóclea, e em parte do filtrado do sangue dos vasos da orelha interna. A composição lembra a de outros líquidos extracelulares: sódio alto e potássio baixo.

Para que serve

A perilinfa é, antes de tudo, o meio que transmite a pressão. Quando o estribo empurra a janela oval, a perilinfa da rampa vestibular se desloca, e a diferença de pressão entre as duas rampas curva a membrana basilar; o líquido da rampa timpânica cede na janela redonda, que se abaúla. Em volta do vestíbulo e dos canais semicirculares, a perilinfa também amortece e protege os ductos membranosos.

A perilinfa banha ainda a base e os lados das células ciliadas e as terminações nervosas ligadas a elas, e fornece um meio de composição comum, por onde o potássio que entrou nas células pelos cílios pode sair. É o líquido que conecta a orelha interna ao resto do corpo, tanto pelo líquido cerebrospinal quanto pelo sangue.

Na prática clínica

  • Pelo aqueduto da cóclea, a perilinfa se comunica com o espaço do líquido cerebrospinal; por isso a meningite bacteriana pode atingir a cóclea, e a perda auditiva neurossensorial é uma das sequelas possíveis, às vezes com ossificação do labirinto visível na tomografia.
  • Quando falta osso sobre um canal semicircular, na chamada deiscência, o líquido ganha uma abertura a mais, e sons intensos ou variações de pressão podem provocar vertigem e movimentos dos olhos; a tomografia do osso temporal mostra a falha.
  • Em implantes cocleares, o eletrodo fica imerso em perilinfa na rampa timpânica, e a reação inflamatória que se segue à introdução é um dos fatores estudados na preservação da audição residual.

Estruturas relacionadas

Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.