Célula principal gástrica
A célula principal é a célula das glândulas gástricas que produz o pepsinogênio, precursor da pepsina, e a lipase gástrica. Fica na metade profunda das glândulas do corpo e do fundo do estômago.

Onde fica
As células principais ficam na metade profunda, a base, das glândulas fúndicas do corpo e do fundo do estômago, onde ocupam boa parte da parede do tubo glandular. Na parte alta da glândula predominam as células mucosas do colo e as parietais; descendo em direção à base, a proporção de células principais aumenta. São raras ou ausentes na região pilórica.
Ao microscópio, são células cúbicas ou colunares, com núcleo redondo na base e citoplasma basal fortemente corado em azul, por causa do retículo endoplasmático rugoso. O ápice, cheio de grânulos de zimogênio, costuma parecer pálido e vazio nas preparações comuns, porque esses grânulos se perdem durante o processamento do tecido.
Para que serve
A célula principal sintetiza e armazena o pepsinogênio em grânulos e o libera na luz da glândula quando estimulada, principalmente pelo nervo vago e por sinais ligados à presença de ácido no estômago. O pepsinogênio é inativo, protegido por um pedaço extra da molécula; em meio ácido ele perde esse trecho e se converte em pepsina, enzima que quebra proteínas em fragmentos menores e dá início à digestão proteica. A própria pepsina ativa mais pepsinogênio, em cadeia.
A célula também libera lipase gástrica, enzima que age sobre gorduras como as do leite e funciona em pH ácido, de modo que uma pequena parte da digestão de gorduras já começa no estômago. Como as duas enzimas atuam em meio ácido, o efeito das células principais depende do ácido produzido pelas parietais vizinhas.
Na prática clínica
- Os níveis de pepsinogênio no sangue refletem, de forma aproximada, a quantidade de células principais: valores baixos de pepsinogênio I sugerem atrofia da mucosa do corpo gástrico, e o exame é usado em alguns países como triagem, em conjunto com a endoscopia.
- Na gastrite atrófica, na gastrite autoimune e depois de cirurgias gástricas extensas, as células principais e as parietais diminuem, com queda da produção de pepsinogênio e de ácido, o que reflete a lesão da mucosa do corpo.
- Como a pepsina só se ativa em meio ácido, a redução da acidez por doença ou por medicamento diminui a digestão péptica, mas a das proteínas continua por enzimas do pâncreas e do intestino, e a falta isolada de pepsina raramente causa déficit nutricional.
Estruturas relacionadas
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