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Enterócito

O enterócito é a célula absortiva que reveste a superfície da mucosa do intestino delgado. Alta, colunar e coberta por microvilosidades, capta os nutrientes da luz do intestino e os entrega aos vasos da vilosidade.

Corte de uma vilosidade intestinal em que o epitélio de revestimento é formado por enterócitos, com células caliciformes e outros tipos celulares indicados
Enterócito. Rótulos em inglês. Imagem: NIH NIAID, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

Os enterócitos são o tipo celular mais numeroso do epitélio do intestino delgado e também existem no cólon. Ocupam a superfície das vilosidades e a parte alta das criptas, dispostos em uma única camada e unidos por junções de oclusão perto do ápice, de modo que o conteúdo da luz alcança o tecido sobretudo por dentro das células.

O polo voltado para a luz tem a borda em escova, uma faixa de microvilosidades que ao microscópio lembra as cerdas de uma escova. O polo oposto assenta sobre a membrana basal, perto de capilares e de um vaso linfático central, o lacteal. Os enterócitos nascem de células-tronco no fundo da cripta, migram em direção à ponta da vilosidade ao longo de poucos dias e, no topo, são eliminados para a luz.

Para que serve

O enterócito absorve e ainda termina parte da digestão. Na borda em escova ficam enzimas, como as dissacaridases, entre elas a lactase, e peptidases, que completam a quebra de açúcares e de pequenos peptídeos antes de entrarem na célula. Transportadores específicos levam glicose, aminoácidos, vitaminas e minerais, e a água acompanha o movimento dos sais.

As gorduras seguem outro caminho: os produtos da digestão entram na célula, são remontados em partículas chamadas quilomícrons e liberados do lado da lâmina própria para o lacteal, chegando ao sangue só depois, pela via linfática. Os demais nutrientes passam aos capilares e seguem pela veia porta até o fígado. As junções entre os enterócitos também selecionam o que passa entre as células e fazem parte da barreira intestinal.

Na prática clínica

  • A intolerância à lactose resulta da redução da lactase na borda em escova e provoca distensão, gases e diarreia após o consumo de lácteos; difere da alergia ao leite, que é uma reação imunológica.
  • Na doença celíaca, a inflamação desencadeada pelo glúten achata as vilosidades e reduz o número de enterócitos maduros, o que pode levar à má absorção de ferro, gorduras e vitaminas; o diagnóstico envolve exames de sangue e biópsia.
  • Infecções como a causada por rotavírus lesam os enterócitos das pontas das vilosidades, e a diarreia que se segue reflete a perda de absorção e o aumento da secreção de líquido.

Estruturas relacionadas

Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.