Célula parietal gástrica
A célula parietal é a grande célula das glândulas gástricas que secreta o ácido clorídrico e o fator intrínseco, necessário para absorver a vitamina B12. Concentra-se na parte média das glândulas do corpo e do fundo do estômago.

Onde fica
As células parietais se concentram no terço médio das glândulas fúndicas do corpo e do fundo do estômago, na região do istmo e do colo, entre as células mucosas, acima, e as principais, abaixo. Aparecem espalhadas ao longo do tubo glandular, em geral encostadas à parede, de onde fazem relevo para fora.
São células grandes e arredondadas, de núcleo central e citoplasma fortemente corado em rosa nas lâminas comuns, por causa do grande número de mitocôndrias. Uma particularidade são as invaginações profundas da membrana, os canalículos intracelulares, que aumentam a área onde o ácido é liberado. Em repouso, a membrana da bomba de ácido fica guardada em vesículas e, quando a célula é estimulada, se funde à dos canalículos.
Para que serve
A célula parietal produz o ácido clorídrico do suco gástrico. A bomba de prótons da membrana dos canalículos, a H+/K+ ATPase, gasta energia para trocar hidrogênio, que sai, por potássio, que entra, e o cloreto acompanha. O pH da luz do estômago pode ficar em torno de 1 a 2, enquanto o do sangue é cerca de 7,4. A secreção é ativada pela histamina das células vizinhas, pela acetilcolina do vago e pela gastrina das células G do antro, e é freada pela somatostatina.
O ácido elimina parte dos microrganismos engolidos, desnatura proteínas e ativa o pepsinogênio. A mesma célula secreta o fator intrínseco, proteína que se liga à vitamina B12 e permite que ela seja absorvida no íleo; sem ele, a B12 da dieta não é aproveitada de modo eficiente.
Na prática clínica
- A anemia perniciosa, forma de deficiência de vitamina B12, ocorre quando uma doença autoimune destrói as células parietais e interrompe a produção de fator intrínseco; o quadro inclui anemia e, às vezes, alterações neurológicas.
- Medicamentos que bloqueiam a bomba de prótons ou os receptores de histamina das células parietais reduzem a secreção de ácido; com o uso prolongado, descrevem-se efeitos sobre a absorção de vitamina B12, ferro e magnésio.
- Na síndrome de Zollinger-Ellison, um tumor produtor de gastrina estimula em excesso as células parietais e causa úlceras múltiplas; na gastrite atrófica, a perda dessas células leva à hipocloridria, a redução do ácido gástrico.
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