Glândulas de Brunner
As glândulas de Brunner são glândulas mucosas da submucosa do duodeno que lançam na luz um muco alcalino e espesso. Esse muco protege a parede do duodeno do ácido vindo do estômago.

Onde fica
As glândulas de Brunner ocupam a submucosa da primeira parte do duodeno, sobretudo o bulbo e o trecho logo após ele, e vão diminuindo em número em direção ao jejuno. São glândulas tubulares ramificadas e enoveladas, com células de citoplasma claro que produzem muco. Seus ductos atravessam a camada muscular da mucosa e se abrem nas criptas entre as vilosidades, de forma que a secreção chega à superfície do epitélio.
São uma marca do duodeno ao microscópio: nenhuma outra parte do intestino delgado tem glândulas na submucosa, o que ajuda a reconhecer o segmento em lâminas.
Para que serve
A função central das glândulas de Brunner é a proteção. O quimo que sai do estômago é ácido e agressivo para uma mucosa tão fina, e o muco alcalino, rico em bicarbonato, forma uma camada que reveste o epitélio e eleva o pH da superfície, criando condições adequadas para a ação das enzimas pancreáticas. A secreção aumenta com o estímulo do nervo vago e de hormônios intestinais, como a secretina, e diminui com a ativação simpática.
O produto dessas glândulas contém também uma substância semelhante ao fator de crescimento epidérmico, que pode favorecer a renovação das células do epitélio.
Na prática clínica
- A hiperplasia das glândulas de Brunner aparece como nódulo ou espessamento da parede do duodeno em exames de imagem ou endoscopia; costuma ser benigna e, na maioria das vezes, um achado sem sintomas.
- Na úlcera duodenal, a camada de muco das glândulas é um dos fatores de defesa contra o ácido, e alterações dessa barreira participam do surgimento da lesão.
- A biópsia do duodeno costuma incluir a mucosa, e a presença das glândulas na submucosa ajuda o patologista a confirmar que o fragmento vem do duodeno.
Estruturas relacionadas
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