Mucosa esofágica
A mucosa esofágica é o revestimento interno do esôfago, formado por epitélio escamoso estratificado, lâmina própria e muscular da mucosa. Resiste ao atrito do alimento e muda de aspecto na junção com o estômago.

Onde fica
A mucosa reveste toda a luz do esôfago, do ponto logo abaixo da faringe até o estômago. Com o órgão vazio, forma pregas longitudinais, que se achatam quando o alimento passa. O epitélio é escamoso estratificado, em geral não queratinizado, semelhante ao da boca e da faringe, e se apoia em uma lâmina própria com pequenos vasos e na muscular da mucosa, uma faixa fina de músculo liso. Na submucosa, logo abaixo, existem glândulas esofágicas, que lançam muco na superfície por ductos curtos.
Na junção com o estômago o revestimento muda de forma abrupta: o epitélio liso e rosado do esôfago dá lugar ao epitélio colunar, de aspecto mais avermelhado, do estômago. A linha irregular, em zigue-zague, onde as duas cores se encontram, é a linha Z.
Para que serve
A mucosa esofágica protege a parede do atrito do alimento sólido e do contato com líquidos quentes, frios ou irritantes. As várias camadas de células escamosas se renovam o tempo todo: as superficiais descamam e são repostas por células da camada basal, de modo que pequenas lesões do dia a dia se reparam rápido. O muco das glândulas esofágicas lubrifica a passagem do bolo alimentar e neutraliza em parte o que sobe do estômago.
A mucosa quase não absorve nutrientes: ela serve de passagem. Ao contrário da mucosa gástrica, tem defesas limitadas contra o ácido, e por isso tolera mal o contato repetido com o conteúdo do estômago que reflui. É essa fragilidade que explica por que o refluxo prolongado deixa marcas visíveis na endoscopia.
Na prática clínica
- No refluxo gastroesofágico, o ácido atinge a mucosa e causa esofagite, vista na endoscopia como áreas avermelhadas ou erosões; o exame permite também retirar fragmentos para análise.
- O esôfago de Barrett é uma metaplasia em que o epitélio escamoso é substituído por epitélio colunar de tipo intestinal, associada ao refluxo prolongado; a biópsia confirma, e a condição é acompanhada porque se associa ao adenocarcinoma.
- A candidíase esofágica, mais comum em quem tem imunidade baixa ou usa corticoide inalado, e a esofagite eosinofílica, inflamação de base imunológica, muitas vezes ligada a alergias e à dificuldade para engolir, também afetam a mucosa.
Estruturas relacionadas
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