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Doctor System Atlas

Célula de Kupffer

Macrófago residente do fígado, que fica na luz dos sinusoides hepáticos e retira do sangue vindo do intestino bactérias, endotoxinas e células envelhecidas. Leva o nome do anatomista Karl von Kupffer.

Ilustração anatômica: Célula de Kupffer (Kupffer Cells)
Célula de Kupffer. Rótulos em inglês. Imagem: NIH NIAID, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

As células de Kupffer ficam na luz dos sinusoides do fígado, aderidas à face interna do endotélio, em contato direto com o sangue que chega pela veia porta, vindo do intestino, e pela artéria hepática. Predominam na zona periportal do lóbulo, onde o sangue traz mais material do intestino, e estão entre os maiores grupos de macrófagos residentes do corpo.

Em cortes comuns são difíceis de distinguir das células endoteliais, e marcadores como CD68 e CD163 as evidenciam. Em grande parte têm origem embrionária e se renovam no próprio fígado, com reposição parcial por monócitos.

Para que serve

Filtram o sangue portal: retiram bactérias, endotoxinas e outros materiais que cruzam a parede do intestino, impedindo que cheguem à circulação geral. Fagocitam também hemácias envelhecidas ou lesadas, em colaboração com o baço, e reciclam o ferro; removem imunocomplexos, restos celulares e partículas.

Têm papel imunológico ajustado ao órgão: em condições normais induzem tolerância a antígenos vindos do intestino, mas, diante de infecção ou lesão, produzem citocinas e atraem outras células de defesa. Essas citocinas também ativam as células estreladas do fígado, ligadas à formação de fibrose.

Na prática clínica

  • Em hepatites virais, na doença hepática gordurosa e nas lesões por álcool e por medicamentos, as células de Kupffer se ativam e liberam mediadores que mantêm a inflamação e contribuem para a progressão da fibrose, tema de intensa pesquisa.
  • Na malária, as células de Kupffer fagocitam hemácias parasitadas e acumulam pigmento, e na biópsia hepática depósitos como a hemossiderina e o pigmento da malária ajudam o patologista a caracterizar doenças do fígado e do metabolismo do ferro.
  • Quando a barreira do intestino está alterada, chegam mais bactérias e endotoxinas ao fígado; a sobrecarga dessas células é estudada na sepse, e na cirrose a perda da função de filtro pode favorecer infecções.

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Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.