Cordas tendíneas
Fios fibrosos resistentes que ligam as margens e a face ventricular dos folhetos das valvas mitral e tricúspide aos músculos papilares. Impedem que os folhetos se virem para dentro do átrio quando o ventrículo se contrai.

Onde fica
As cordas tendíneas ficam dentro dos ventrículos, entre os músculos papilares e os folhetos das valvas atrioventriculares: a tricúspide, à direita, e a mitral, à esquerda. São feitas de colágeno e fibras elásticas, recobertas de endocárdio, e se ramificam em leque a partir da ponta de cada músculo papilar.
Costumam ser divididas em três grupos. As de primeira ordem se prendem à borda livre do folheto; as de segunda ordem, mais grossas, à sua face ventricular; e as de terceira ordem, descritas sobretudo no folheto posterior da mitral, partem da parede do ventrículo e se fixam na base do folheto. As valvas da aorta e do tronco pulmonar não têm cordas.
Para que serve
As cordas funcionam como cabos de sustentação. Na sístole, a pressão do ventrículo empurra os folhetos em direção ao átrio; as cordas, tensionadas pelos músculos papilares, seguram as bordas e impedem a eversão, de modo que os folhetos se encostam e vedam a passagem. Cada músculo papilar envia cordas a dois folhetos vizinhos, o que ajuda os folhetos a se fecharem juntos.
As cordas também distribuem a carga que incide sobre os folhetos: as mais grossas reforçam a face ventricular, e a disposição em leque reparte a força entre muitos pontos de fixação. Na diástole, quando a valva se abre, as cordas relaxam e acompanham o movimento dos folhetos sem atrapalhar o fluxo.
Na prática clínica
- A ruptura de uma corda tendínea faz o trecho do folheto balançar para dentro do átrio e causa insuficiência valvar aguda; pode ocorrer por degeneração, endocardite ou trauma, e o ecocardiograma identifica o folheto de movimento solto.
- No prolapso da valva mitral de origem degenerativa, as cordas podem estar alongadas ou rompidas; na doença reumática, podem se encurtar e se fundir, o que restringe o movimento dos folhetos.
- Falsas cordas, bandas fibrosas que cruzam a cavidade ventricular sem ligar folhetos, são variações comuns, em geral sem importância clínica. Nas cirurgias das valvas, a preservação do aparelho subvalvar é uma preocupação, pela relação com a função do ventrículo.
Estruturas relacionadas
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