Barreira hematoaérea
Camada finíssima entre o ar dos alvéolos e o sangue dos capilares pulmonares, formada por células do alvéolo, uma membrana basal comum e células do capilar. Por ela o oxigênio entra no sangue e o gás carbônico sai.

Onde fica
Fica na parede dos alvéolos pulmonares, onde o capilar encosta no espaço aéreo. Da face do ar para a do sangue, a barreira tem uma película de líquido com surfactante, o citoplasma achatado de uma célula alveolar do tipo I, a lâmina basal, que nesse ponto é fundida à do capilar, e o endotélio do capilar. No trecho mais fino, a espessura é menor que um micrômetro.
Como os alvéolos são centenas de milhões e a parede se dobra ao redor de uma rede densa de capilares, a área total de contato entre o ar e o sangue é grande, de dezenas de metros quadrados. As células alveolares do tipo II, que produzem surfactante, ficam fora do trecho mais fino.
Para que serve
A barreira é o local das trocas gasosas. O oxigênio do ar inspirado a atravessa por difusão passiva, dissolve-se no plasma e entra na hemácia, onde se liga à hemoglobina; o gás carbônico faz o caminho oposto e é eliminado na expiração. A difusão depende da diferença de pressão entre alvéolo e sangue, da área e da espessura, e por isso uma parede fina e extensa favorece a troca.
A barreira também é seletiva: separa o ar inspirado, que traz partículas e microrganismos, da corrente sanguínea e, em condições normais, mantém o líquido dos capilares fora dos alvéolos. O surfactante reduz a tensão superficial e ajuda a manter os alvéolos abertos.
Na prática clínica
- No edema pulmonar, o líquido passa dos capilares para o interstício e para os alvéolos, o que aumenta a distância que os gases percorrem e prejudica a oxigenação; pode vir de insuficiência cardíaca ou de lesão da parede alveolar.
- Na fibrose pulmonar, o espessamento da parede dificulta a difusão do oxigênio, e no enfisema há destruição de paredes e perda de área de troca. A espirometria e a prova de difusão do monóxido de carbono ajudam a avaliar esses efeitos.
- Em prematuros, a falta de surfactante leva ao colapso dos alvéolos e à síndrome do desconforto respiratório; na pneumonia, o preenchimento dos alvéolos por secreção e células reduz a área efetiva de troca.
Estruturas relacionadas
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