Matriz óssea
A matriz óssea é o material que forma o tecido ósseo fora das células: uma trama de colágeno mineralizada por cristais de fosfato de cálcio. Dá ao osso a dureza do mineral e a flexibilidade do colágeno.

Onde fica
A matriz ocupa o espaço entre as células do osso, os osteoblastos, os osteócitos e os osteoclastos, e responde pela maior parte da massa do tecido. Cerca de dois terços de seu peso são mineral, e o restante é uma mistura de substância orgânica e água. Os cristais minerais são sobretudo de hidroxiapatita, um fosfato de cálcio, dispostos ao longo e ao redor das fibrilas de colágeno.
A parte orgânica é, em grande maioria, colágeno do tipo I, com proteínas não colágenas, como a osteocalcina e a osteopontina, e proteoglicanos em menor quantidade. A camada de matriz recém-produzida pelos osteoblastos ainda não está mineralizada e se chama osteoide; a mineralização começa pouco depois. Em volta dos osteócitos, a matriz tem pequenas cavidades, as lacunas, ligadas por canais finos, os canalículos.
Para que serve
Cada componente da matriz responde por uma propriedade. O mineral dá rigidez e resistência à compressão; o colágeno, flexibilidade e resistência à tração e à torção, o que evita que o osso se quebre como vidro. Sem o mineral, o osso seria maleável; sem o colágeno, seria duro, porém quebradiço. A trama das fibras, organizada em lâminas e em feixes orientados conforme a carga, completa a resistência.
A matriz também é uma reserva de minerais: a quase totalidade do cálcio do corpo e a maior parte do fósforo estão nos ossos e podem ser mobilizadas para o sangue pela ação dos osteoclastos, quando necessário. Armazena ainda fatores de crescimento, liberados na reabsorção óssea, que participam da renovação do tecido, a remodelação, pela qual a matriz velha é substituída por matriz nova.
Na prática clínica
- No raquitismo, em crianças, e na osteomalacia, em adultos, o osteoide não se mineraliza de modo adequado, com ossos moles e dor; as causas incluem a falta de vitamina D ou de cálcio e fósforo, e a radiografia e os exames de sangue ajudam a investigar.
- Na osteogênese imperfeita, alterações do colágeno tipo I tornam a matriz frágil e predispõem a fraturas com traumas mínimos; é uma doença genética, e seu espectro varia de formas leves a graves.
- A densitometria óssea estima a quantidade de mineral por área e é usada para acompanhar a osteoporose, que é a perda de matriz e de mineral; marcadores no sangue e na urina refletem a formação e a reabsorção da matriz.
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