Osso cortical
O osso cortical, ou compacto, é a camada densa e dura que forma o contorno externo de todos os ossos. É espesso no meio dos ossos longos, fino nas extremidades e responde pela maior parte da massa do esqueleto.

Onde fica
Envolve todos os ossos como uma casca, logo abaixo do periósteo, e delimita por dentro o canal medular. A espessura muda ao longo do osso: é máxima na diáfise dos ossos longos, onde o esforço de flexão é maior, e se afina nas extremidades, onde há só uma casca delgada sobre o osso esponjoso. Nos ossos planos do crânio, forma as lâminas externa e interna.
Vista ao microscópio, é pouco porosa e organizada em unidades cilíndricas, os ósteons, orientadas ao longo do eixo do osso, entre lâminas circunferenciais que revestem as superfícies externa e interna e restos de ósteons antigos, as lâminas intersticiais. Vasos entram pelo periósteo e pelo endósteo e correm em canais no interior da massa, conectados entre si.
Para que serve
O osso cortical dá ao osso a rigidez e a força para suportar flexão, torção e compressão. Sua forma de tubo, com um canal oco no centro, resiste à flexão melhor do que uma barra maciça com a mesma quantidade de material, de modo que o osso é ao mesmo tempo leve e firme. A cortical também protege a medula e fornece superfície para a fixação de músculos, tendões e ligamentos.
Os ósteons orientados no sentido do eixo do osso suportam bem a compressão longitudinal. A cortical guarda grande parte do cálcio do esqueleto, mas é renovada mais devagar do que o osso esponjoso, pois tem menos superfície por volume. A renovação se dá por túneis de reabsorção que atravessam a massa e depois são preenchidos com osso novo, processo que se repete ao longo da vida.
Na prática clínica
- As fraturas por estresse, como as da tíbia, do metatarso e do colo do fêmur, resultam de microlesões que se acumulam na cortical por sobrecarga repetida; a radiografia pode demorar a mostrá-las, e a ressonância detecta o edema ósseo mais cedo.
- O afinamento da cortical é um sinal de osteoporose e de outras doenças que reduzem o osso. O hiperparatireoidismo tende a atingir a cortical, com aspecto de reabsorção sob o periósteo, por exemplo nas falanges; a espessura cortical é considerada em radiografias e em exames de densitometria.
- O espessamento cortical e a reação do periósteo vistos em radiografias podem acompanhar infecções, tumores e fraturas em cicatrização, e por isso são sinais que podem indicar necessidade de investigação por outros exames.
Estruturas relacionadas
Partes e subdivisões

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