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Doctor System Atlas

Sistema de Havers

O sistema de Havers, ou ósteon, é a unidade estrutural do osso cortical: um cilindro de lâminas concêntricas de matriz óssea em volta de um canal central com vasos e nervos. Leva o nome do médico inglês Clopton Havers.

Ilustração anatômica: Sistema de Havers (Haversian System)
Sistema de Havers. Rótulos em inglês. Imagem: OpenStax College, Anatomy & Physiology, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

Os sistemas de Havers ficam na espessura do osso cortical, principalmente na diáfise dos ossos longos, e se dispõem em paralelo ao eixo maior do osso. Cada um é um cilindro, como os anéis de um tronco: no centro, o canal de Havers, com um ou dois capilares, nervos finos e tecido conjuntivo frouxo; em volta, várias lâminas concêntricas de matriz mineralizada, entre as quais ficam as lacunas, que alojam os osteócitos, ligadas por canalículos que correm de uma lâmina a outra até o canal central.

O limite de cada ósteon é marcado por uma linha cimentante, pobre em colágeno. Os canais de Havers se conectam entre si, ao periósteo e ao endósteo por canais transversais ou oblíquos, os canais de Volkmann, que não têm lâminas concêntricas. Entre os ósteons ficam fragmentos de ósteons antigos, as lâminas intersticiais.

Para que serve

O ósteon é a forma pela qual o osso cortical combina resistência e vida. As lâminas concêntricas, com fibras de colágeno de orientação alternada de uma camada para a seguinte, distribuem forças e resistem à torção; as linhas cimentantes ajudam a frear a propagação de microfissuras, desviando-as ao redor do ósteon. O canal central leva sangue e nervos ao interior de um tecido duro, e os osteócitos, pelos canalículos, trocam nutrientes e sinais com o canal e entre si, o que mantém viva a matriz mesmo a certa distância dos vasos.

Os ósteons também são produto da remodelação. Um grupo de osteoclastos abre um túnel, o cone de reabsorção, no osso antigo; atrás dele, osteoblastos depositam lâminas novas de fora para dentro, deixando apenas o canal central. Esse ciclo substitui osso envelhecido ou com microlesões por osso novo e deixa as lâminas intersticiais e a linha cimentante como marcas do que foi substituído.

Na prática clínica

  • A remodelação constante renova o osso cortical por meio de novos ósteons, e o desequilíbrio entre reabsorção e formação aumenta a porosidade dos canais; na osteoporose e em estados de remodelação acelerada, os canais de Havers se alargam e a cortical perde resistência.
  • A biópsia óssea com análise histológica, em casos selecionados, permite ver os ósteons, as linhas de mineralização e o número de células, e ajuda a esclarecer distúrbios do metabolismo ósseo, como a osteomalacia e a osteodistrofia renal.
  • Em estudos de ossos antigos e em contextos periciais, o aspecto e a densidade dos ósteons em cortes do osso são usados como um dos critérios para estimar a idade ao morrer, junto a outros achados.

Estruturas relacionadas

Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.