Corpúsculo de Mallory
O corpúsculo de Mallory é uma inclusão irregular, rosada ao microscópio, formada por filamentos de citoqueratina agregados no citoplasma de hepatócitos. É um achado descrito em doenças do fígado, sobretudo ligadas ao álcool.
Onde fica
Aparece no citoplasma de hepatócitos, em geral perto do núcleo, como massas ou fios de aspecto vítreo, de cor rósea na coloração de rotina com hematoxilina e eosina. Costuma ser visto em hepatócitos aumentados e pálidos, de aspecto balonizado, e pode ter neutrófilos ao redor.
É composto por filamentos intermediários do citoesqueleto, as citoqueratinas 8 e 18, que se emaranham e se ligam a outras proteínas, como a ubiquitina e a p62. Aparece na biópsia do fígado em áreas inflamadas e, na doença ligada ao álcool, é mais comum na região central do lóbulo hepático.
Para que serve
Não tem função: é um sinal de que o citoesqueleto do hepatócito foi alterado. Em condições de estresse, as citoqueratinas deixam de ser degradadas e organizadas de forma normal, e acumulam-se em agregados que a célula não consegue eliminar.
A presença do corpúsculo indica lesão e estresse da célula hepática, mas não é exclusiva de uma só causa, e sua formação envolve falhas no sistema de degradação de proteínas da célula.
Na prática clínica
- É um dos achados clássicos da hepatite alcoólica, mas também é descrito na esteato-hepatite não alcoólica, em doenças como a de Wilson, na colangite biliar primária e em tumores do fígado.
- Na biópsia hepática, é avaliado pelo patologista junto com a inflamação, a gordura e a fibrose, para o diagnóstico da causa e do grau da lesão.
- Por não ser específico, o achado é interpretado no conjunto do quadro clínico e dos outros achados do tecido.
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