Gordura intra-abdominal
A gordura intra-abdominal, ou visceral, é o tecido adiposo que envolve os órgãos dentro da cavidade abdominal. É metabolicamente muito ativa e tem papel importante no risco cardiometabólico.
Onde fica
Esse tecido adiposo se concentra em três locais principais: o omento maior, uma prega em forma de avental que pende do estômago sobre o intestino; o mesentério, que prende as alças do intestino delgado à parede posterior; e o espaço retroperitoneal, em torno dos rins e do pâncreas.
Parte desse depósito fica coberta pelo peritônio. Uma característica anatômica importante é que o sangue vindo da gordura do omento e do mesentério segue pelas veias que formam o sistema porta e chega ao fígado antes de ir para o restante do corpo.
Para que serve
A gordura visceral amortece e mantém os órgãos em posição, mas seu destaque está no papel metabólico. Seus adipócitos respondem com rapidez a hormônios e liberam ácidos graxos livres e moléculas inflamatórias, as adipocinas, que chegam ao fígado de forma concentrada pela circulação porta.
O omento maior tem ainda função imunológica: contém aglomerados de células de defesa e tende a envolver focos de inflamação na cavidade, ajudando a limitá-los. Em quantidade excessiva, o depósito se associa a alterações na ação da insulina e nos lipídios do sangue.
Na prática clínica
- A gordura visceral em excesso é fator associado à esteatose hepática, ao diabetes tipo 2 e à hipertensão, por isso é considerada em escores de risco metabólico.
- Exames de imagem, como tomografia, ressonância e ultrassonografia, permitem estimar sua quantidade, ainda que a rotina use mais a medida da cintura.
- Em cirurgias do abdome, o volume dessa gordura pode influenciar a dificuldade técnica do procedimento.
Estruturas relacionadas
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