Trofoblasto extraviloso
O trofoblasto extraviloso é o trofoblasto que sai das vilosidades coriônicas e migra para dentro do útero, invadindo a decídua e as artérias espirais. Ancora a placenta e adapta a circulação materna ao embrião.

Onde fica
Essas células se originam nas colunas de trofoblasto na ponta das vilosidades âncora da placenta, de onde migram para a decídua e para a porção mais interna do miométrio, a camada muscular do útero. No primeiro trimestre, formam também tampões nas extremidades das artérias espirais.
Ocorrem como células isoladas ou em grupos e mudam de aspecto ao longo do trajeto: mais próximas da vilosidade, proliferam; mais profundas, tornam-se grandes e, muitas vezes, com mais de um núcleo. Diferem do trofoblasto viloso, que reveste as vilosidades em contato com o sangue materno.
Para que serve
O trofoblasto extraviloso fixa a placenta à parede uterina e remodela as artérias espirais, que ao final da transformação perdem a camada muscular e ficam mais largas. Isso permite que o sangue materno chegue ao espaço interviloso com fluxo alto e baixa resistência.
Também conversa com as células imunes da decídua, especialmente as natural killer uterinas, e expressa moléculas de histocompatibilidade pouco usuais, que ajudam a tolerância imune ao tecido fetal. A invasão é controlada: se falha, é rasa, e se é excessiva, avança além do esperado.
Na prática clínica
- A invasão rasa e a remodelação incompleta das artérias espirais estão associadas a complicações da gestação, como a pré-eclâmpsia e a restrição do crescimento fetal.
- A invasão além do esperado ocorre nos espectros de acretismo placentário, em que a placenta se fixa de forma anormal à parede do útero.
- Doenças trofoblásticas gestacionais, que formam um grupo à parte, derivam do trofoblasto e são acompanhadas com dosagem de hormônio da gestação e exames de imagem.
Estruturas relacionadas
Conteúdo educativo; não substitui avaliação profissional.