Célula de Purkinje
A célula de Purkinje é um grande neurônio inibitório do córtex do cerebelo, de árvore dendrítica plana e muito ramificada. Seu axônio constitui a única via de saída do córtex cerebelar.

Onde fica
Os corpos das células de Purkinje formam uma fileira única, a camada de Purkinje, entre a camada molecular, externa, e a camada granulosa, interna, do córtex cerebelar. Do corpo celular, em forma de pera, sai uma árvore dendrítica que se estende para a camada molecular em um só plano, perpendicular ao eixo da folha cerebelar, como as ramificações de um leque. Os dendritos são cobertos de espinhas e recebem milhares de sinapses de fibras paralelas, axônios das células granulares da camada granulosa. Cada célula recebe, ainda, uma fibra trepadeira, proveniente do núcleo olivar inferior, que a envolve como uma trepadeira.
Para que serve
As células de Purkinje integram a informação que chega ao cerebelo e a enviam, pelo axônio, aos núcleos cerebelares profundos e a alguns núcleos vestibulares. Liberam o neurotransmissor GABA, de modo que sua ação é inibitória, e modulam a atividade desses núcleos. Essa regulação contribui para a coordenação dos movimentos, o equilíbrio, o ajuste da postura e o aprendizado motor, pois a combinação de sinais das fibras paralelas e trepadeiras altera a força das sinapses ao longo do tempo. Disparam espontaneamente em alta frequência, e as variações em torno desse ritmo codificam informação.
Na prática clínica
- A degeneração de células de Purkinje está presente em várias ataxias espinocerebelares, que podem se manifestar por incoordenação dos movimentos, alteração da marcha e da fala.
- Essas células são particularmente sensíveis a agentes tóxicos, como o álcool em uso crônico, e à falta de oxigênio.
- Autoanticorpos dirigidos contra células de Purkinje são descritos em degenerações cerebelares associadas a tumores, as chamadas síndromes paraneoplásicas.
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