Neurônio nitrérgico
Neurônios nitrérgicos são neurônios que produzem óxido nítrico, um gás de ação local, por meio da enzima óxido nítrico sintase neuronal. Estão no encéfalo, no sistema nervoso entérico e em nervos autonômicos.
Onde fica
Neurônios nitrérgicos formam uma população espalhada, definida pelo que produzem e não por um único local. No encéfalo aparecem como interneurônios no córtex cerebral, no cerebelo, no hipocampo e no corpo estriado, e em alguns núcleos do hipotálamo e do tronco encefálico.
No sistema nervoso entérico, são os principais neurônios motores inibitórios do trato gastrointestinal, com corpos sobretudo no plexo mioentérico e axônios que alcançam a musculatura lisa e os esfíncteres. Fibras nitrérgicas também acompanham vasos e órgãos como a bexiga e os tecidos eréteis. Em lâminas, costumam ser reconhecidos por uma coloração enzimática chamada NADPH-diaforase.
Para que serve
O óxido nítrico não fica guardado em vesículas: é produzido sob demanda quando o cálcio entra na célula e se difunde livremente pelas membranas, atingindo células vizinhas. Nelas ativa a guanilato ciclase, que gera GMP cíclico e, no músculo liso, causa relaxamento.
Por isso os neurônios nitrérgicos do intestino relaxam segmentos da parede e esfíncteres, permitindo a passagem do conteúdo, e as fibras que chegam aos vasos contribuem para a dilatação local. No sistema nervoso central, o óxido nítrico atua como mensageiro retrógrado, do neurônio pós-sináptico de volta ao terminal pré-sináptico, e participa de mecanismos de plasticidade da sinapse e do ajuste do fluxo sanguíneo cerebral conforme a atividade.
Na prática clínica
- Na acalasia, o esfíncter esofágico inferior não relaxa adequadamente, e a perda de neurônios inibitórios do plexo mioentérico, que incluem os nitrérgicos, é um dos achados descritos.
- A função erétil depende, em parte, de nervos nitrérgicos que levam à dilatação dos vasos do tecido erétil, o que explica a ação de medicamentos que atuam nessa via de sinalização.
- Alterações dos neurônios nitrérgicos são estudadas em doenças neurodegenerativas e em distúrbios da motilidade intestinal, com resultados ainda em investigação.
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