Cone de crescimento
O cone de crescimento é a extremidade expandida de um axônio ou dendrito em crescimento. Explora o ambiente e guia a fibra até seu alvo, como um sensor móvel, durante o desenvolvimento e na regeneração de nervos.
Onde fica
O cone de crescimento fica na ponta de um axônio ou de um dendrito em desenvolvimento, e tem forma de leque ou de mão aberta. Tem um centro, com microtúbulos e organelas, e uma periferia de aspecto laminar, formada por lamelipódios e por filopódios, finas projeções que se estendem e se retraem à procura de sinais.
A periferia é rica em filamentos de actina, em constante montagem e desmontagem, e na superfície há receptores para moléculas do ambiente. É abundante no encéfalo e na medula espinal do embrião e do feto, e aparece de novo em nervos periféricos lesados que se regeneram. No adulto, os axônios maduros em geral perdem essa estrutura.
Para que serve
O cone de crescimento percebe pistas de orientação do ambiente, como netrinas, semaforinas, efrinas e a proteína Slit, que podem atrair ou repelir. Conforme o sinal, a actina se reorganiza em um dos lados, os microtúbulos avançam, e o cone muda de direção, de modo que o axônio chegue ao alvo correto e forme a sinapse certa.
Esse mecanismo constrói as conexões do sistema nervoso durante o desenvolvimento, como o cruzamento das vias no quiasma óptico. Quando chega ao tecido-alvo, o cone se transforma em terminal pré-sináptico. Em nervos periféricos, cones formados após uma lesão avançam pelo trajeto preservado, a uma velocidade de cerca de um milímetro por dia.
Na prática clínica
- A regeneração de nervos periféricos depende de cones de crescimento que avançam a partir do coto lesado, e por isso a recuperação funcional é lenta e depende da distância até o músculo ou a pele.
- No encéfalo e na medula espinal do adulto, a regeneração é limitada por inibidores presentes na mielina e na cicatriz glial, e pesquisas buscam modificar o comportamento dos cones.
- Alterações da orientação de axônios durante o desenvolvimento são associadas a malformações do cérebro e a transtornos do neurodesenvolvimento.
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