Corpúsculo de Nissl
Os corpúsculos de Nissl são agregados de retículo endoplasmático rugoso e ribossomos no citoplasma do neurônio, que se coram intensamente com corantes básicos. Indicam intensa síntese de proteínas.

Onde fica
Aparecem como grumos basófilos no corpo celular do neurônio e na base dos dendritos, mas faltam no cone de implantação do axônio e no próprio axônio. Em neurônios grandes, como os motores da medula, são volumosos e evidentes; em neurônios pequenos, são mais discretos. O nome vem do neuropatologista alemão que desenvolveu, no fim do século XIX, o método de coloração com corantes básicos, que permite ver essa estrutura e o núcleo, mas não os prolongamentos. Ao microscópio eletrônico, correspondem a pilhas de cisternas de retículo rugoso entremeadas por polirribossomos livres.
Para que serve
Os corpúsculos de Nissl são a maquinaria de síntese de proteínas do neurônio: produzem enzimas, proteínas estruturais, receptores e proteínas de membrana de que a célula precisa para manter seus longos prolongamentos. Como o neurônio gasta muita energia e renova continuamente seus componentes, a quantidade dessa estrutura reflete a atividade metabólica da célula. A ausência no axônio explica por que ele depende do transporte axonal para receber o que o corpo celular fabrica. A coloração de Nissl segue em uso para ver a organização das camadas celulares do córtex e dos núcleos.
Na prática clínica
- Após lesão do axônio, o corpo celular pode apresentar cromatólise, em que os corpúsculos se dispersam e o núcleo se desloca para a periferia, sinal histológico de reação da célula à lesão.
- A coloração de Nissl é usada em anatomia patológica para avaliar perda de neurônios e a organização das camadas do tecido nervoso.
- Alterações da síntese proteica e do retículo endoplasmático estão entre os mecanismos estudados em doenças neurodegenerativas.
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