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Célula em tufo

A célula em tufo é uma célula epitelial rara, com microvilosidades longas no polo apical, que percebe substâncias do ambiente luminal. Aparece em vias aéreas, intestino, vias biliares e outros órgãos, e serve de sensor para o sistema imunológico.

  • Inglês: Tuft Cells
  • Também chamado de: célula tufo, célula em escova
  • Sistema nervoso
Ilustração anatômica: Célula em tufo (Tuft Cells)
Célula em tufo. Rótulos em inglês. Imagem: Hendel SK, Kellermann L, Hausmann A, Bindslev N, Jensen KB and Nielsen OH, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons. Todos os créditos

Onde fica

As células em tufo ocorrem de forma isolada entre as demais células do epitélio de revestimento. Foram descritas na mucosa nasal e na traqueia, no intestino delgado e no grosso, na vesícula e nas vias biliares, nos ductos pancreáticos, na uretra e no timo. Seu nome se deve ao aspecto: um tufo de microvilosidades longas, rígidas, sustentadas por feixes de actina, projetando-se da face voltada para a luz.

Têm formato alongado, em garrafa, e um citoplasma rico em microtúbulos e mitocôndrias. Em geral formam menos de um por cento das células do epitélio. Em algumas vias aéreas e no intestino, estão em contato com terminações nervosas ou com células imunológicas vizinhas.

Para que serve

As células em tufo usam receptores semelhantes aos do paladar para detectar produtos de bactérias, parasitas e alérgenos. No intestino, ao perceber certos parasitas, liberam a interleucina 25, que ativa células linfoides inatas e favorece a resposta imunológica de tipo 2, com aumento de células caliciformes e de muco.

Nas vias aéreas, o estímulo pode provocar reflexos protetores, como a redução da respiração, e liberação de mediadores inflamatórios. Elas também produzem substâncias como prostaglandinas e leucotrienos, além de acetilcolina em alguns locais. Esse papel de sentinela, que une a percepção química à resposta imunológica, torna a célula em tufo um elo entre o sistema nervoso, o epitélio e a defesa do organismo.

Na prática clínica

  • O aumento do número de células em tufo é descrito na rinossinusite crônica com pólipos nasais e em respostas intestinais a parasitas, o que as liga a doenças com inflamação de tipo alérgico.
  • Pesquisas investigam o papel dessas células em doenças inflamatórias do intestino e na origem de alguns tumores, como os do pâncreas, em que um de seus marcadores é usado em estudos.
  • O conhecimento sobre elas é recente e vem sobretudo de estudos experimentais, e seu uso clínico direto ainda é limitado.

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